
Fazia tempo que eu não tinha uma piração dessas: outro dia, me ví com 13 anos a menos nos dias de hoje. O fenômeno aconteceu num shopping, enquanto eu esperava a hora do cinema tomando um café, sem saber que alí era o point de um grupo de adolescentes bastante peculiares. O primeiro que me chamou a atenção foi um menino com cabelo picotado, de franja caindo no olho, metade preto, metade loiro. All Star nos pés, calça black-jeans arrochada e camiseta estampada com a bandeira inglesa. Se não fosse pela mochila de uma grife carérrima, somada ao fato de não estarem rasgados e com as calças pixadas de canetinha hidro-cor, acharia que eram punks.
Demorei um tempo pra descobrir o que eram esses "punks-limpinhos" dos quais eu gostaria de ter feito parte na adolescência. Devem ser aqueles "emos", pensei. Eu nem sabia o que era emo, mas como punk não podia ser, criei esse silogismo.
Um deles pediu para sentar na minha mesa. Acendeu um cigarro, olhou pro nada, depois pra minha cara e perguntou meu nome.
- Ferrrnanda.
- hummm. Você é carioca.
- hehe (rizadinha amarela, nervosa, tentando ser aceita no grupinho dos emos de 17 anos, mas encerrando o papo sem querer).
Assim fiquei horas, ouvindo as gírias muderninhas e vendo a galera se pegar. Aos poucos se dispersavam, mas iam tunar por alí no dia seguinte. Fui pro cinema encantada com os meus "emos", sem saber muito sobre a cultura deles. "Devem escutar Morrissey e adorar o Kubrick", pensei com a minha cabeça de 30 anos.
Como queria escrever esse post, fui pesquisar a verdade sobre os emos, e minha vontade de fazer parte do grupinho sumiu imediatamente. Ao invés de Rage Against , Thom Yorke ou Smiths, eles ouvem Evanescence e outras bandas meladas do gênero. Kubrick também não está na lista deles e talvez nem saibam quem é o cara. É... definitivamente não seria essa a minha praia. Ainda assim, deixo aqui uma receita que é a cara dessa galera mega-estilosa de gosto musical duvidoso. Este bolo nem precisa de batedeira, é só colocar tudo num tupperware hermeticamente fechado e sacudir. Força na franjinha, beleuza?!
500 gr de farinha
500 gr de açúcar
6 colheres de chá de fermento em pó
2 tabletes de margarina (derretidos)
300 ml de leite
4 ovos
Peneirar a farinha, o açúcar e o fermento. Fechar o tupperware e sacudir. Juntar os outros ingredientes e sacudir novamente. Dar uma mexidinha de leve com a colher de pau e levar ao forno numa forma untada e enfarinhada por, mais ou menos, 30 minutos. Pra saber se está pronto, espetar um palito-de-dente no bolo - se sair limpo, pode tirar do forno.
Música (nada emo) para harmonizar: Rock 'N' Roll Suicide - David Bowie

6 metendo a colher:
Você tem receita de emos no espeto ?
Nanda,
Emo não sacode.
Desmancha a franja.
;)
Oi!
Cheguei aqui por um link lá no euseimasesqueci, e to simplesmente apaixonada pelo seu blog!! Adoro cozinhar e essa sua mistura de fatos-da-vida-real e receitas ficou perfeita!! Parabéns!
Você acaba de entrar pros meus favoritos!!
Beijos
Diana
Nandinha, curti esse bolo. Principalmente porque eu nao tenho batedeira, mas minha casa é um tupperware só.
Mas de emo eu só tenho a franja ;0)
Urbe, se emo fosse bom, eu cozinhava mesmo!
Rods! Até que enfim, meu querido... venha mais!!! Saudades!!!
Diana, volte sempre. Vou tentar postar com mais frequencia, ok? Beijo enorme!!!
Gastonildo, não custa repetir: o tupperware deve ser hermeticamente fechado, senão vai sobrar pra pobrezinha da jô limpar a lambança. Me conte o resultado depois.
Apareço de vez em quando e é sempre por acaso (via blogs que te "linkam", muito provavelmente) mas sempre que venho gosto muito de tudo que leio, do humor... (acho que li umas 4 postagens agora) rsrs
Engraçado, os emos da "minha época" "pareciam" ter mais bom gosto musical do que os de hoje. Não vou mentir, eu curto um SunnyDayRealEstate. Agora, Evanescence nem com engove!!!
Beijo.
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